Em Porto Velho, o professor de Educação Física Ablyano dos Santos Custódio, de 11 anos de paternidade, aprendeu que o maior presente para um filho é a presença. Pai de Murilo, que é autista com nível 3 de suporte e não verbal, ele transformou a própria vida para acompanhar o menino em terapias e na rotina diária.
“Às vezes, seu filho não quer um brinquedo. Não importa se o seu carro é bacana ou se a sua casa é bacana. Ele quer você ali, presente, para sorrir com ele e dividir os momentos. Esses momentos são especiais e únicos”, afirma Ablyano.
Após o diagnóstico de Murilo, a rotina da família mudou. Ablyano deixou o trabalho como personal trainer e em academia, reduziu atividades na igreja e saídas com amigos. Hoje, ele trabalha como professor na Escola Oswaldo Piana, com carga horária reduzida, para poder acompanhar o filho no contraturno.
“Eu realmente tive que abrir mão de muita coisa para ser somente pai. Na vida a gente muda. A prioridade passa a ser nosso filho e a luta pela autonomia e pelo bem-estar dele fica sendo nosso motivo de viver”, conta.
Murilo não fala, mas pai e filho criaram uma forma própria de comunicação: gestos, sorrisos e abraços. “Se ele estender os braços para você, abrace. Você é uma pessoa sortuda se isso acontecer”, diz o pai, que sonha em ouvir o filho cantar ou chamá-lo.
“Tem tantos pais que dizem: ‘esse menino não cala a boca um minuto’. Eu queria muito que meu filho não calasse a boca um minuto. Queria muito ouvir a voz dele”, emociona-se.
A experiência também mudou sua atuação como professor, tornando-o mais atento às diferentes formas de aprender. Neste Dia dos Pais, o prefeito Léo Moraes destacou a importância da presença: “Ser pai é estar presente nas diferentes fases, nos desafios e nas pequenas conquistas que se tornam gigantes dentro de uma família”.
Ablyano deixa um recado: “Se colocar um filho no mundo e isso não fizer de você uma pessoa melhor, nada mais faz”.