Porto Velho agora conta com uma nova tecnologia no combate à dengue, zika e chikungunya: o Método Wolbachia. A estratégia, do Ministério da Saúde em parceria com a Fiocruz, utiliza mosquitos Aedes aegypti infectados com a bactéria natural Wolbachia, que impede o desenvolvimento dos vírus dentro do inseto, reduzindo a transmissão das doenças.
Os mosquitos são criados em um novo insetário instalado na capital, a partir de ovos vindos de Curitiba. Após o ciclo de desenvolvimento, as equipes da Prefeitura liberam os insetos nos bairros contemplados. Eles cruzam com os Aedes aegypti locais e transmitem a bactéria para as próximas gerações, aumentando gradualmente a população de mosquitos que não transmitem os vírus.
O biólogo e pesquisador da Fiocruz, Diogo Challegre, destaca a importância de informar a população: “Nosso primeiro trabalho é informar a população. Durante muito tempo aprendemos que era preciso eliminar o mosquito e isso continua sendo importante. A diferença é que agora existe um mosquito aliado, que carrega a bactéria Wolbachia e não transmite dengue. O método já está presente em 15 países e tem resultados muito positivos. Em Niterói (RJ), por exemplo, houve redução de 89% dos casos de dengue. Em Campo Grande, a redução foi de aproximadamente 64%. Nossa expectativa é alcançar resultados semelhantes em Porto Velho ao longo dos próximos anos.”
A secretária municipal de saúde, Sandra Maria, ressalta que a tecnologia reforça as ações existentes: “Essa tecnologia chega para reforçar o trabalho que já realizamos no combate às arboviroses. Ela soma às ações de vigilância e prevenção, precisamos da participação da população, mesmo com a nova tecnologia, porque os cuidados continuam sendo indispensáveis.”
A população deve manter os cuidados para evitar criadouros do mosquito, como manter caixas d’água, tonéis e reservatórios bem tampados e descartar corretamente recipientes que possam acumular água da chuva.
A expectativa é beneficiar mais de 276 mil moradores em 27 bairros da capital. O prefeito Léo Moraes afirmou: “O combate à dengue exige inovação e responsabilidade. A Capital passa a contar com uma tecnologia que já vem sendo utilizada em outras cidades e que fortalece o trabalho que já realizamos diariamente. É mais uma ferramenta para proteger a nossa população, sempre com o apoio da ciência e sem substituir a participação da comunidade, que continua sendo fundamental no combate aos focos do mosquito.”